quinta-feira, 9 de julho de 2009

SAIBAM: Para pedir o Chai!


Na Índia nada é fácil. Tudo é tão diferente, tão diferente, que você tem que prestar atenção até para pedir o chá.

Cheguei no aeroporto de Mumbai, depois de 2 vôos da Europa, tonta. Tanto pelos vôos longos e o jet-lag, quanto pela um-milhão-e-cinquenta-e-dez informações que caem nos olhos, ouvidos, nariz, boca e pele! Uma deliciosa e enebriante confusão de sentidos! Saindo do avião, entra-se em um outro universo. Diverso, colorido! Tudo impressiona! A língua, a música, a comida, os costumes.... mesmo para quem já imagina o que vai encontrar por lá!

Enfim, cheguei ao hotel, bom, banhão, tal. Camona king, 6 travesseiros, hotel bom mesmo. Ai, delícia, o merecido descanso! Mas, na hora de deitar... o lençol que forrava o colchão só cobria os dois terços de cima, deixando os pés sem forro, direto no colchão encardido! Afe! Depois desta primeira surpresinha (muitas outras ainda estavam por vir, inumeráveis) a explicação: para o indiano os pés são a parte mais suja e desprezível do corpo. Na Índia é falta de educação sentar com as solas dos pés à mostra, mais que isso, é uma ofensa mostrar a sola dos pés. Por isso todo mundo senta de pernas cruzadas. Nas aulas de ioga, no momento do savasana (a postura deitada, de relaxamento), todos se deitam com a cabeça em direção ao professor e com os pés em direção ao fundo da sala. Ao contrário, nem pensar. Falta de respeito. E é por isso que tocar os pés é uma forma de reverência aos homens santos e aos gurus. Já que, estas pessoas em especial, são santas, puras, até os seus pés podem ser tocados.

No dia seguinte, o primeiro café da manhã... hummmmmm.... bolinhos de farinha de arroz, chamados Idli, com um molho para colocar em cima... hummmm.... que fome! Que ARDIDO!!!! puuutsss... adorei, mas ardeu, e tive que partir para as torradas com geleia mesmo. E ainda tinha Dosas, Chapati, Puris, Oopma, Lassi... Eu lá, enebriada com os aromas e sabores novos... perdida e curiosa... Nessas, vem o garçom perguntar:

"- Ticofi, madam?", balançando a cabecinha, um movimento que não é SIM, nem NÃO, nem TALVEZ.

Como é? Ticofi?!

"TEA OR COFFEE", era o que ele me perguntava - o primeiro tropeço com o inglês indiano! Mas sabe que não é só um sotaque, né? Eles falam inglês do jeito deles! É outro inglês! Amei, claro, e já aprendi!

- Tea, please.

E aí, surpresinha novamente: TEA é chá preto com leite, à moda inglesa. Tudo bem, adorei, já tinha tomado assim na Africa do Sul. Adorei e adotei, e até hoje só tomo chá preto com leite.

Ah, sim, se você não gosta com leite, peça BLACK TEA. É só chá preto puro, como tomamos aqui.

E TEA MASSALA é o chá preto com especiarias, sem leite.

 E o CHAI!!!! o CHAI é lindo, típico, delicioso.... é chá preto, com leite, com especiarias... E se você é adepto do Ayurveda, yogi e ama chá de gengibre do jeito que tomamos aqui, peça GINGER WATER. Se você pedir Ginger Tea vem chá preto com gengibre, forte demais, esqueça.

Bom, vamos à receita do CHAI:
2 xícaras de água
1 xicara de leite integral
2 colheres de sopa cheias de chá preto de boa qualidade (Assam ou Darjeeling)
5 cravos
3 paus de canela
1 pedaço de gengibre (+ou- uns 3 cm)
5 cardamomos

Colocar a água para ferver com as especiarias, ferver bastante. Apagar o fogo e colocar o chá. Deixar tampado, repousando um pouco para que fique bem concentrado. Depois adicionar o leite já aquecido e adoçar! Bico! Coar e servir.

Por favor, não vá tomar chai com bolacha, hein?

OM SHANTI!

sexta-feira, 3 de julho de 2009

REMEMBERING + INCURSÕES POÉTICAS: Do fundo do Baú

Tem cada coisa especial que acontece! Hoje cedo, procurando o meu curriculum no meio dos meus arquivos antigos, descobri um texto que escrevi no início de 2005. Que bonitinho! Nem lembrava mais dele! Só sei que, na época, escrevi para alguém especial. De um detalhe eu lembro com certeza: me inspirei em Vinícius, (só para variar) e escrevi ouvindo Coldplay (X&Y). Os dois me embalam até hoje!

Por uns minutinhos lembrei com carinho daquele momento da minha vida. Lembrei do dono do poema e do carinho por ele. A minha aflição daquela época hoje não existe mais e deu lugar a esse carinho que cresceu e se tornou uma amizade bonita e sincera! A amizade nunca deixou de existir.

Hoje em dia não tenho a menor dúvida que nós dois aprendemos, não um com o outro, mas cada um do seu jeito e a seu tempo, a arte do encontro.


Te Encontrar (*)

Algumas vezes eu quis,
Você não pôde, não viu, não entendeu.
Outras vezes, você quis,
Eu não pude, não vi, não entendi.

E agora, sei que demorei e perdi a hora certa.
Sei que você tem pressa demais para esperar a minha hora certa.

Parece que, mais uma vez, perdi, perdemos, a chance.

De novo: Vinícius é que estava certo?
Mais um desencontro, outro desencanto...

Sinto tanto por ter que esperar até hora em que nós dois tenhamos aprendido a arte do encontro!


(*) publicado com a autorização do dono! ;)

Om Shanti!

quinta-feira, 2 de julho de 2009

NONSENSE: Pés no Chão

Muito mais do que a cabeça, é o pé determina o momento da ação. Pé ante pé, ou na correria, não importa. Antes do movimento, vem o pé. Quantas vezes, prestes a dar o primeiro passo em direção ao definitivo, o pé ainda paira no ar, como se não soubesse se é este o momento certo para tocar o chão.

Continua suspenso porque é muito mais difícil botar os pés no chão do que mantê-los a uns 10 centímetros do solo. Já que, ao tocar o chão, ele pode ser enfiado na lama ou em algum buraco. Ou até de ser conduzido sobre um caco de vidro que causará uma ferida profunda. E isso pode ser bastante dolorido.

Quando os pés não tocam o solo não há limites ou esforço para ir aonde o desejo mandar. Flutuando, livre ao sabor do vento, leve e solto. Sem dor, sem arranhões, sem riscos. Mas com os pés no chão, não. O contato gera atrito, sensações boas e ruins, frio, calor, pressão. Com o tempo esse pé acabará ficando calejado e, por consequência, defendido. Trará as marcas de todos esses contatos. Um pé vivido. Um pé andado.

E eis que o pé andado encontra um terreno confortável. Macio, nutritivo, plano, firme, úmido, confiável. E cria raízes. E sabe que não vai mais sair de lá por um bom tempo. Ficará imóvel, ao mesmo tempo plácido, mais observando o que se passa a sua volta, do que desejando sair por aí a 10 centímetros do chão. Muito menos nas suas arriscadas andanças ásperas.
Ainda assim, mesmo cansado, calejado e enraizado, o pé saberá que a cabeça vai estar sempre nas nuvens, apesar dele firme no chão. E que esse mundo é mesmo totalmente sem pé nem cabeça.
OM SHANTI!

TRAJETÓRIA PROFISSIONAL

Médica formada na Faculdade de Medicina do ABC em 1999. Fez residência em Pediatria na Escola Paulista de Medicina – UNIFESP até 2002.

Especializou-se em Homeopatia pela Escola Paulista de Homeopatia, atual ICEH, de 2003 a 2005.

Seu interesse em Ayurveda nasceu com o início das práticas de Yoga em 2002. Em 2007, fez o módulo I de formação em Yoga com Pedro Kupfer. Em 2008 concluiu a formação em Ayurveda na Clínica Dhanvantari em São Paulo, com Dr. Luiz Guilherme Corrêa Neto.

Na Índia, fez estágio em Ayurveda e Pregnancy & Baby Care na “School of Ayurveda & Panchakarma”, Kannur, Kerala, em Janeiro de 2009 e no Arya Vidya Peetam Trust, AVP Hospital, Coimbatore, em janeiro de 2010.

Atualmente trabalha na em seu consultório, atendendo a consultas de Pediatria e Puericultura, permeadas pela Homeopatia, pelo Ayurveda e pela sua bagagem de maternagem.

Escreve o blog PEDIATRIA INTEGRAL no Portal de maternidade ativa Vila Mamífera.

TODOS SOMOS UM