
Na Índia nada é fácil. Tudo é tão diferente, tão diferente, que você tem que prestar atenção até para pedir o chá.
Cheguei no aeroporto de Mumbai, depois de 2 vôos da Europa, tonta. Tanto pelos vôos longos e o jet-lag, quanto pela um-milhão-e-cinquenta-e-dez informações que caem nos olhos, ouvidos, nariz, boca e pele! Uma deliciosa e enebriante confusão de sentidos! Saindo do avião, entra-se em um outro universo. Diverso, colorido! Tudo impressiona! A língua, a música, a comida, os costumes.... mesmo para quem já imagina o que vai encontrar por lá!
Enfim, cheguei ao hotel, bom, banhão, tal. Camona king, 6 travesseiros, hotel bom mesmo. Ai, delícia, o merecido descanso! Mas, na hora de deitar... o lençol que forrava o colchão só cobria os dois terços de cima, deixando os pés sem forro, direto no colchão encardido! Afe! Depois desta primeira surpresinha (muitas outras ainda estavam por vir, inumeráveis) a explicação: para o indiano os pés são a parte mais suja e desprezível do corpo. Na Índia é falta de educação sentar com as solas dos pés à mostra, mais que isso, é uma ofensa mostrar a sola dos pés. Por isso todo mundo senta de pernas cruzadas. Nas aulas de ioga, no momento do savasana (a postura deitada, de relaxamento), todos se deitam com a cabeça em direção ao professor e com os pés em direção ao fundo da sala. Ao contrário, nem pensar. Falta de respeito. E é por isso que tocar os pés é uma forma de reverência aos homens santos e aos gurus. Já que, estas pessoas em especial, são santas, puras, até os seus pés podem ser tocados.
No dia seguinte, o primeiro café da manhã... hummmmmm.... bolinhos de farinha de arroz, chamados Idli, com um molho para colocar em cima... hummmm.... que fome! Que ARDIDO!!!! puuutsss... adorei, mas ardeu, e tive que partir para as torradas com geleia mesmo. E ainda tinha Dosas, Chapati, Puris, Oopma, Lassi... Eu lá, enebriada com os aromas e sabores novos... perdida e curiosa... Nessas, vem o garçom perguntar:
"- Ticofi, madam?", balançando a cabecinha, um movimento que não é SIM, nem NÃO, nem TALVEZ.
Como é? Ticofi?!
"TEA OR COFFEE", era o que ele me perguntava - o primeiro tropeço com o inglês indiano! Mas sabe que não é só um sotaque, né? Eles falam inglês do jeito deles! É outro inglês! Amei, claro, e já aprendi!
- Tea, please.
E aí, surpresinha novamente: TEA é chá preto com leite, à moda inglesa. Tudo bem, adorei, já tinha tomado assim na Africa do Sul. Adorei e adotei, e até hoje só tomo chá preto com leite.
Ah, sim, se você não gosta com leite, peça BLACK TEA. É só chá preto puro, como tomamos aqui.
E TEA MASSALA é o chá preto com especiarias, sem leite.
E o CHAI!!!! o CHAI é lindo, típico, delicioso.... é chá preto, com leite, com especiarias... E se você é adepto do Ayurveda, yogi e ama chá de gengibre do jeito que tomamos aqui, peça GINGER WATER. Se você pedir Ginger Tea vem chá preto com gengibre, forte demais, esqueça.
E TEA MASSALA é o chá preto com especiarias, sem leite.
E o CHAI!!!! o CHAI é lindo, típico, delicioso.... é chá preto, com leite, com especiarias... E se você é adepto do Ayurveda, yogi e ama chá de gengibre do jeito que tomamos aqui, peça GINGER WATER. Se você pedir Ginger Tea vem chá preto com gengibre, forte demais, esqueça.
Bom, vamos à receita do CHAI:
2 xícaras de água
1 xicara de leite integral
2 colheres de sopa cheias de chá preto de boa qualidade (Assam ou Darjeeling)
5 cravos
3 paus de canela
1 pedaço de gengibre (+ou- uns 3 cm)
5 cardamomos
Colocar a água para ferver com as especiarias, ferver bastante. Apagar o fogo e colocar o chá. Deixar tampado, repousando um pouco para que fique bem concentrado. Depois adicionar o leite já aquecido e adoçar! Bico! Coar e servir.
Por favor, não vá tomar chai com bolacha, hein?
OM SHANTI!

