terça-feira, 21 de junho de 2005

SAIBAM: meu último ataque de humanismo-utópico-visionário....

No mês passado, MAIO/2005, tive o desprazer de receber em minha casa o exemplar da VEJINHA SÃO PAULO, contendo um anexo, lá - de luxo, grosso assim - falando da "CLASSE AAA"... vcs viram? Que coisa repugnante - trazia os preços de tudo quanto é grife, tipo desde Ferrari de trocentos milhões até cachecol de 4 mil reais... acreditem... e como se não bastasse, entrevistaram pessoas tipo a filha do governador - uma patricinhazinha medíocre - falando que creme que ela passa na cara, quanto gasta com isso, com aquilo - ridículo!

Quem salvou foi a VIVIANE SENNA, que deu uma entrevista tipo: carro? não sei nem abrir o capô; dinheiro? gasto em livros; festa? não vou; sonho?... "que pessoas como eu e Ayrton (Senna) deixemos de ser uma exceção neste país e viremos regra. Que todos tenham oportunidade de saúde, educação e futuro." E-S-P-E-T-A-C-U-L-A-R!

Foram inúmeras referências à DASLU, aquele antro de peruas insuportáveis....

Ô ASSUNTO C-H-A-T-O!!! SERÁ QUE NINGUÉM TEM NADA MAIS EDIFICANTE PRA FALAR, NÃO? - meu, se eu quizesse ver perua, assinava CARAS, né? pô!

enfim... me deu um ataque e escrevi uma carta à redação da VEJA, repugnando tanta futilidade, que a Vejinha vem publicando ultimamente...

Claaaaaaro, que não vai adiantar nada, que eles não vão mudar de assunto, que toda essa apologia à futilidade vai continuar, que era materia comprada pela DASLU... enfim..... mas está aí meu protesto! Mas publicaram, tá lá! na edição da vejinha sõa paulo -aquela que tem a bocona comum estasy na capa! (claro que publicaram só a parte boazinha da minha carta...) hehehe =D

Se tiverem paciência, leiam o texto todo... peço desculpas... no auge da revolta acabei me alongando... como faço sempre.... como estou fazendo agora! tssss....

ENJOY!

CARTA A REVISTA VEJA: "Edição Especial de Maio: um lixo"

À Redação da Revista Veja.

Como médica pediatra e humanista que sou, não pude deixar de comentar a Edição Especial de Maio, “Classe AAA”.

Ao receber a revista, de volume tão grande, discorrendo sobre tanta futilidade, não pude conter a revolta. Concordo que São Paulo é uma metrópole, que a vinda de grandes marcas para o nosso mercado pode ser benéfico... mas porque exaltar o LUXO de forma tão ostensiva? Para que publicar os preços inacessíveis à grandessíssima maioria de nossa população? Para que publicar entrevistas com pessoas que não têm absolutamente nada a acrescentar? E ainda abordando assuntos absolutamente sem importância, tipo que creme facial fulano ou ciclano usa?

Gente! Não é disso que o nosso país precisa!

Meu único alívio foi a pequena entrevista com Viviane Senna, esta sim, tem um grande valor! – veja bem, não estou me referindo à sua conta bancária – é a única que, apesar da sua fortuna, é verdadeiramente modesta e bem-intencionada. À frente da Fundação Ayrton Senna, com certeza ela trabalha incansavelmente, em prol dos menos favorecidos e sem perder a elegância! É ISSO que tem que ser exaltado nas pessoas ricas – a intenção, a ética, a preocupação com o próximo, a modéstia, a diferença que essas pessoas fazem! Viviane Senna diz na reportagem: “Não me acho bonita. Mesmo. Não tem nada que eu tente realçar”, e eu respondo – claro que é bonita – é a pessoa mais bonita da revista toda: de uma beleza espiritual, que provavelmente faz parte da família Senna – ah sim, saiu muito bem na foto!

Não sou contra a riqueza, o dinheiro em si. Eu mesmo me considero uma pessoa abonada. Vou ao cabeleireiro, tenho um bom carro, compro roupas caras e freqüento bons restaurantes. Dinheiro não desabona ninguém moralmente. O que pode soar como desabono são as atitudes de quem tem muito dinheiro – do rico alienado que acha que São Paulo se limita entra a Faria Lima, Oscar Freire e Shoppping Iguatemi. Do rico cego que se recusa a ver nossas crianças nos faróis, carentes de saúde e educação. Do rico conformado, que possui recursos, pode olhar para o próximo e fazer uma pequena diferença, mas se recusa a agir. Do rico egoísta, que acredita que só sua família e amigos é que são importantes. Do rico ingênuo que acredita que por ter um corpo impecável, um belo carrão e convite para todas as festas das “celebridades” está contribuindo para alguma coisa.

Gente, cadê a humanidade das pessoas? A cidadania? Compaixão? Algum dos personagens entrevistados nesta edição sabe o que isso? – excetuando-se Viviane Senna, claro.

Sugiro à revista Veja que revise os seus parâmetros de valor – o que estamos valorizando nesse volume “classe AAA”? Consumo, futilidade, coisas supérfluas? Pessoas pobres de espírito e ricas em sua conta bancária? Será que a revista não iria acrescentar muito mais se procurasse ressaltar a riqueza espiritual? Ou a boa vontade de pessoas muito ricas, ou pessoas que tenham um pouco mais de idealismo, de empenho, de cultura?

Acredito que haja uma inversão de valores – as pessoas estão tão vazias, tão insignificantes, que precisam ter aquele carrão, aquele vestido de tal marca, freqüentar esse ou aquele restaurante, para sentirem que têm conteúdo, ainda que apenas material.Está aí a verdadeira pobreza de espírito! O que precisa ser exaltado hoje em dia é a ética, o idealismo, a preocupação pelo próximo e a ação, mesmo que seja ínfima, a favor do que é digno, do que é notável.

Gostaria de dizer que cheguei a me emocionar com o final da entrevista de Viviane, onde ela diz : “um sonho... que pessoas como Ayrton e eu deixemos de ser uma exceção neste país e viremos regra. Que todos tenham oportunidade de educação e futuro.” Compartilho imensamente do sonho dela, e me consolo ao saber que no meio de tanta gente fútil, está lá alguém que faz a diferença. Não importa o perfume, a griffe, o quanto custa ser Viviane Senna e sim, o exemplo que ela é para todos nós, e para todos os ricos cegos, surdos e mudos entrevistados nessa edição.

Pergunto então, à VEJA: porque não mudar de assunto? Chega de tanta inutilidade!
Mais de uma vez a revista Veja, principalmente a Veja São Paulo, trouxe como matérias principais, assuntos fúteis, uma verdadeira apologia ao inútil... Pessoas que não contribuem com nada, não são inteligentes, não têm propostas inovadoras, foram incansavelmente exaltadas pelas matérias da revista - Vide a matéria sobre as 50 pessoas mais comentados nas colunas sociais de São Paulo, vinculada há pouco tempo atrás: daria para contar nos dedos de uma mão aqueles que realmente têm um motivo importante para serem exaltados... poucos daquela lista produzem algo de útil, pouquíssimos têm a acrescentar, para aqueles, “reles mortais”, que não são “celebridade”! Claro, a grandessíssima maioria das pessoas consideradas célebres não tem nada a acrescentar – isso é fato – mas porque uma revista como a Veja se preocupa com esse tipo de matéria? Para isso temos a revista CARAS – essa é a proposta deles, exaltar o inútil – o que acreditava não ser a intenção da Veja. Ou será que as vendas das edições de Veja têm sido menor que as de CARAS? Pode ser, futilidade vende, sem dúvida.

Por isso sugiro, principalmente aos responsáveis pela Veja São Paulo: olhem em volta – tenho certeza que em nossa cidade há vários personagens importantes que merecem ser exaltados. Pessoas que têm vida e alma rica, com intenções ricas. Pessoas que podem não ter construído um império material, mas com um pequeno trabalho atingiram positivamente quem precisa.... anônimos, famosos, pessoas que fazem o BEM.

Uma revista importante como VEJA tem que servir de exemplo. É disso que o mundo precisa hoje em dia!

Enfim, se precisarem tenho algumas sugestões de pessoas que considero verdadeiramente “célebres”, não celebridades. Apesar de ser pediatra e não jornalista, ponho-me à disposição para contribuir com essa mudança de foco das matérias que a revista tem veiculado, com qualquer sugestão ou idéia que vocês precisarem, nesta direção...

Atenciosamente,
Silvia M. Gioielli, CRM 98003

2 comentários:

Juliana Ramalho disse...

Aeeeeeeeh Siiiil!!!!
Mandou MUITO BEM!!!!
To orgulhosa!!!
Realmente essa Edição da VEJA foi um absurdo...
Super bj

Felipe disse...

Olá, cheguei até esse blog pela explicação sobre a palavra ahimsa que pretendo tatuar no meu corpo, mas que mesmo não fazendo isso já está tatuada pela metade na minha alma.

Queria poder conhecer pessoas assim como você.

Um beijo.

TRAJETÓRIA PROFISSIONAL

Médica formada na Faculdade de Medicina do ABC em 1999. Fez residência em Pediatria na Escola Paulista de Medicina – UNIFESP até 2002.

Especializou-se em Homeopatia pela Escola Paulista de Homeopatia, atual ICEH, de 2003 a 2005.

Seu interesse em Ayurveda nasceu com o início das práticas de Yoga em 2002. Em 2007, fez o módulo I de formação em Yoga com Pedro Kupfer. Em 2008 concluiu a formação em Ayurveda na Clínica Dhanvantari em São Paulo, com Dr. Luiz Guilherme Corrêa Neto.

Na Índia, fez estágio em Ayurveda e Pregnancy & Baby Care na “School of Ayurveda & Panchakarma”, Kannur, Kerala, em Janeiro de 2009 e no Arya Vidya Peetam Trust, AVP Hospital, Coimbatore, em janeiro de 2010.

Atualmente trabalha na em seu consultório, atendendo a consultas de Pediatria e Puericultura, permeadas pela Homeopatia, pelo Ayurveda e pela sua bagagem de maternagem.

Escreve o blog PEDIATRIA INTEGRAL no Portal de maternidade ativa Vila Mamífera.

TODOS SOMOS UM